Urbano Tavares Rodrigues
(Lisboa, 1923-Lisboa, 2013)
URBANO TAVARES RODRIGUES
Professor Catedrático da
Faculdade de Letras de Lisboa

3-2-1998


Meu caro Eduardo,

As tuas palavras tão belas e sentidas sobre a Maria Judite comoveram-me profundamente. Remeto-te um fortíssimo abraço, com toda a minha estima e admiração por ti.

Urbano
Urbano Tavares Rodrigues licenciou-se em Filologia Românica na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Foi jornalista, crítico e professor universitário. Tem uma vasta obra literária e ensaística traduzida em diversas línguas. Recebeu vários prémios, entre eles o Prémio Fernando Namora, o Prémio Ricardo Malheiros da Academia das Ciências de Lisboa e o Grande Prémio de Vida Literária da Associação Portuguesa de Escritores. A sua obra literária divide-se entre o Alentejo (onde estão as suas raízes familiares) e a realidade urbana de Lisboa. A militância política na oposição ao Estado Novo - esteve sempre ligado ao Partido Comunista Português - valeu-lhe o afastamento do ensino universitário e a prisão. Foi leitor de Português nas universidades de Montpellier, Aix-en-Provence e Paris, cidade onde se cruzou com Eduardo Lourenço. Estreou-se como ficcionista com A Porta dos Limites (1952) e em 1958 publicou Uma Pedrada no Charco, que recebeu o Prémio Ricardo Malheiros, da Academia das Ciências de Lisboa.
No prefácio à terceira edição de Casa de Correcção, Eduardo Lourenço escreve: «Ninguém na nossa geração escreveu mais à flor do tempo que Urbano Tavares Rodrigues. As mais vibráteis pulsações do quotidiano sentimental, erótico, literário, político, vieram, como se fossem feitas para ele e ele para elas, fixar-se sem pena e sem fadiga aparente na sua prosa efervescente, nervosa, encadeada pelas reverberações do instante»1. Ou, como afirma José Saramago, no prefácio à segunda edição: «Certas novelas deste livro de Urbano Tavares Rodrigues (por exemplo, Tio Deus, Tríptico da Irresponsabilidade e Carnaval Negro) são de leitura incómoda. Mais: dolorosa. É preciso resistir à repetida tentação de largar o livro, de pensar noutra coisa, de ir ao jardim mais próximo ver como se comportam as flores. […] É preciso saber, enfim, que em nada beneficia o enfermo cobrir caridosamente a chaga que o vai matar. E que a boa terapêutica manda que as feridas sejam desbridadas».
Em 2007, as suas Obras Completas começaram a ser publicadas pela editora Dom Quixote. Os dois primeiros volumes reúnem A Porta dos Limites, Vida Perigosa, A Noite Roxa, Uma Pedrada no Charco, As Aves da Madrugada, Bastardos do Sol e Nus e Suplicantes. Urbano Tavares Rodrigues entregou para publicação alguns dias antes de morrer, em Lisboa, com 89 anos, o «romance breve» Nenhuma Vida.
O cartão de 3 de Fevereiro de 1998, aqui transcrito, agradece a Eduardo Lourenço as palavras escritas aquando da morte da mulher de Urbano, a escritora Maria Judite de Carvalho (1921-1998). O Acervo de Eduardo Lourenço possui 23 cartas de Urbano Tavares Rodrigues datadas de 1953 a 1998.

1 Eduardo Lourenço, «O último expressionista?», prefácio à 3.ª edição, revista, de Casa de Correcção, Mem Martins, Publicações Europa-América, 1987, p. 15.