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no Congresso Internacional
Eduardo Lourenço
Outubro 2008

Programa
do Congresso Internacional
Eduardo Lourenço Outubro 2008

 


DEPOIMENTOS
EXCERTOS SELECTOS SOBRE EDUARDO LOURENÇO

 

“A constante presença de Eduardo Lourenço na reflexão sobre os acontecimentos, a literatura e a vida, sobre Portugal e a Europa, tem constituído uma oportunidade para ultrapassarmos um atávico conformismo, uma tendência para nos ficarmos pela superfície das coisas e uma sistemática ilusão sobre os nossos males irremediáveis e sobre a fatalidade da nossa história”.

Guilherme d’Oliveira Martins.

 

“Eduardo Lourenço (…) sabe que todos nós somos espíritos perdidos no tempo e que, apesar das palavras não poderem quebrar a nossa irredutível solidão, elas podem pelo menos proporcionar um pouco de conforto no vazio da infinitude”.

Pascal Avot.

 

“(…) a sua compreensão íntima do mistério da saudade, (…) a sua magistral interpretação da obra de Pessoa, dão-nos a essência mesma da lusitanidade”.
                       
Catherine Trautmann, Ministra da Cultura de França.

 

“Em O Labirinto da Saudade se encontram algumas das análises mais penetrantes que me tem sido dado ler sobre a significação histórica do testemunho formulado a propósito do seu país e da tradição nacional, bem como da realidade portuguesa do seu tempo”.

Pierre Hourcade

 

“A sua originalidade consiste em unir a um método rigoroso, que integra as aquisições mais recentes da crítica, uma atenção apaixonada, quase uma fé, que faz do autor mais do que um simples exegeta: um discípulo do mestre Caeiro”.

Robert Bréchon

 

“Cosmopolita à maneira de Goethe ou de Stendhal, dotado do olhar lúcido de um exilado do interior, Eduardo Lourenço é um digno sucessor de Paul Hazard”.

Gerard Spiteri.

 

“(…) a obra de Eduardo Lourenço vale como uma ininterrupta e sempre meditação sobre o destino portugês”.

Arnaldo Saraiva

 

“(…) Eduardo Lourenço tem um pensamento – dividido entre o sortilégio da História e a procura de um sentido para ela, tensão que marcou decisivamente o século XX”.

Guilherme d’Oliveira Martins

 

“Eduardo Lourenço vem sonhando, sem descanso, a nossa história, a nossa cultura, a nossa mitologia, com uma inteligência criadora excepcional. Graças a ele conhecemos melhor o que somos como homens deste tempo e como portugueses herdeiros dos vários tempos da história”.

Jorge Sampaio

 

“(…) trata-se de um verdadeiro pensamento da literatura, e, no mesmo gesto, de uma proposta de interpretação global da história literária do século XIX e XX (…) e de uma tentativa de caracterização dos grandes problemas do nosso tempo. Não se pode dizer que seja pouco”.

Eduardo Prado Coelho

 

“O estatuto de E. Lourenço entre os intelectuais portugueses não tem paralelo (…). O seu espírito contagiantemente jovem contrasta com um sentido controlado e trágico da vida, escrito numa prosa vivida mas sábia, de alguém que nasceu escritor e poeta”.

Onésimo Teotónio de Almeida

 

“Se fosse necessário encontrar em Portugal um exemplo cimeiro desse género literário indefinido ao qual desde Montaigne nos habituámos a chamar ‘ensaio’, bastaria referir qualquer obra de Eduardo Lourenço”.

Fernando Pinto do Amaral

 

“Devemos a Eduardo Lourenço uma nova e fantástica viagem de nós mesmos, da nossa relação connosco e da nossa relação com o mundo”.

Manuel Alegre

 

 “O que desde logo impressiona, no pensamento de Eduardo Lourenço, é a sua extrema mobilidade, a sua vivacidade ímpar.” (p. 44)

José Gil

 

“(…) Lourenço é, na cultura portuguesa, uma espécie de aedo, oráculo que, sabendo que «o homem é um animal mitológico por definição», nos narra a razão dos mitos, essa «realidade que nos faz sonhar», mas que também nos denuncia, com a veemência exigida por Auschwitz e pelo Goulag, a razão dos mitos da razão (…). O que qualifica a sua filosofia como uma «metafísica da interrogação», uma «meta-problemática, uma vez que o próprio questionante está perpetuamente envolvido pela própria questão», sempre que teve consciência disso, como a demonstram, ao longo da história, a experiência interior dos místicos e dos poetas”. (pp.83-84).
           
Fernando Catroga

 

“Eduardo Lourenço é um mestre do ensaio livre e criativo que procura abarcar e desvelar a compreensão da realidade em perspectivas inesperadas.
Mestre de uma crítica livre pensadora, mas pós-livre-pensamento, difícil de enquadrar em escolas e correntes, Eduardo Lourenço tem procurado desminar o nosso imaginário repleto de imagens desfocadas de nós mesmos, de mitos e utopias delirantes que nos têm impedido de trilhar caminhos sólidos de realização colectiva.
Os seus textos são interpretação e, ao mesmo tempo, são fonte de interpretação. A sua lucidez analítica perante a complexidade da história e suas derivas presentes obriga-nos a uma ascese das nossas insuficiências hermenêuticas e a alargar a compreensão de Portugal, da Europa e do mundo. 
Tenho uma dívida de inspiração a Eduardo Lourenço e aos seus escritos, lidos por mim com entusiasmo sistemático. Os seus textos e os momentos de convívio com este pensador têm sido desbravadores de caminhos e de temas de abordagem da História da Cultura, esse mar onde navego em termos de investigação.
Sem Eduardo Lourenço os meus livros seriam mais pobres. Ele tem-me ensinado, com os suas análises argutas e as suas provocações eivadas de ironia, a olhar o nosso passado e o nosso presente de forma menos simplista e mais complexizante.”

José Eduardo Franco

 

Marginal consagrado, na permanente tentação do estudo da própria marginalidade — o que porventura autoriza a constância do balanço, ou o põe a coberto da ruptura suicidária —, eis o homem paralelo ao pais que da mesma tragédia se alimenta.

Mário Cláudio

 

Para Eduardo Lourenço

Uma escrita que flui em subtil transparência
como se fora um sopro do silêncio
Um tremor que resplandece em limites obscuros,
cercando o mistério e a vertigem do fogo.

Ramos Rosa

 

É uma felicidade para o país ter um ensaísta e crítico assim, de uma envergadura e qualidade raríssimas e que ao mesmo tempo é um autêntico criador. Ou talvez melhor: porque autêntico criador é um ensaísta e crítico de envergadura e qualidade raríssimas.

José Carlos Vasconcelos

 

O mitólogo, descobridor, destruidor, reconstrutor e fixador de mitos, mesmo ou sobretudo os mais ocultos, inventor de mitos como se os mitos não fossem apenas a face inefémera do que existe, foi sempre um homem desassossegado e desassossegador. Cada livro por si publicado, cada artigo de jornal ou de revista, cada colóquio, cada discurso, são um lugar de inquietude onde nos congregamos para a lucidez e a acção.

Manuel Alegre

 

Nada escapa ao bisturi dessa extraordinária máquina analítica que Lourenço põe a funcionar para nosso prazer e desprazer dos míopes, dos cínicos, dos mal-intencionados militantes, dos bem-intencionados diletantes de que o inferno doméstico deve estar cheio. País de doutores e de amadores, a incompetência destes e a auto-suficiência daqueles depressa arranjou uma etiqueta mágica para classificar gente como Lourenço: «estrangeirado».

Almeida Faria

 

A obra de Eduardo Lourenço não se limita aos estudos pessoanos: há todo um mundo próprio de pensar o mundo e a cultura, e é aí, nesse universo pluriverso que, para mim, a grandeza da sua excepcionalidade se revela. (…) Uma vénia ao grande filósofo que ele é.

Ana Hatherly

 

Eduardo Lourenço, na sua recusa de uma estrita textualidade, permanentemente cede ao «apelo» dessa «orla extrema do dizível», dos textos se evadindo ou a partir deles voando com icárias asas que, de tão míticas, já também são inequivocamente ficcionais. Simplesmente, no seu caso, não há Sol que as derreta. Talvez a alguns outros, menos seguros e adestrados no voo, dificilmente se perdoasse este reiterado vezo da evasão dos textos: a Eduardo Lourenço, pelo contrário, mais não podemos que reconhecidamente agradecer os deslumbrantes panoramas que o seu voo nos desvela e a luminosa teia de surpreendentes analogias a que ele nos conduz.

David Mourão-Ferreira

 

Um dos espíritos mais sagazes, de uma fulgurância estonteadora, que o ensaísmo português em alguma época produziu. Muitas características e muitas virtudes (por vezes dissociáveis, como no seu caso) desenham o perfil deste beirão que, nunca deixando de o ser, se tornou um dos nossos universalistas – talvez por isso vemo-lo como o mais certeiro e apaixonado diagnosticador das contraditórias especificidades do homem português e, ao mesmo tempo, um daqueles que mais capazes se revelam de um distanciamento clarificante.

Fernando Namora

 

Na verdade, o brilho das suas palavras confundiu-se-me sempre com o que anima as dos autores que ele soube amar, graças a essa entrega do pensamento ao seu próprio desconhecido, a esse risco que o pensamento tem de correr sob pena de deixar de ser pensamento – e, acima de tudo, através desse grau de conhecimento íntimo e profundo que todo o amor exige, mantendo vivo o assombro de quem parece recomeçar sempre a interpretar pela primeira vez o «claro enigma» do mundo e dos livros que o dizem, sem a pretensão de o resolver pelo fácil conforto de uma religião ou de uma teoria na última moda, prontas a apaziguarem as nossas inquietações.
Fernando Pinto do Amaral
Eduardo Lourenço é um filómita e cultiva os mitos como modos de realizar a grande psicanálise mítica do destino português. A cultura é, para o ensaísta (discípulo de Montaigne e da sua pergunta sacramental “Que Sais-je), a vida, a encruzilhada entre a memória e o desejo, a recordação e a esperança, entre Garrett e Herculano, entre o “Orpheu” e a “Presença”.

Guilherme de Oliveira Martins

 

Eduardo Lourenço é um filósofo que pensa em metáforas e um poeta que transforma as metáforas em personagens. As suas personagens são os textos que lê e que nos ensina a ler como se fossem gente: Camões, Pessoa, Portugal, o que fomos, o que somos, o que ainda poderemos querer ser.

Helder Macedo

 

(…) A figura de Eduardo Lourenço adquire um particular significado. Ela é primícias e símbolo dos portugueses de que precisamos no futuro: heterodoxos, inteligentes e livres.

Helena Vaz da Silva

É um homem que nunca foi estrangeiro em parte alguma,
porque fez do mundo a sua casa, irmão de Vieira,
de Pessoa e de Camões, gémeo da claridade das vozes
que tudo anunciam quando o tempo é de revelação.

José Jorge Letria

 

o nosso mais fundo aguilhão
o mais lúcido e melancólico guia
eis o anjo necessário
que tem um nome e um rosto: Eduardo Lourenço

José Augusto Mourão



Um olhar firme (…). Numa palavra, um escritor de ‘livre navegação’ que, em roteiro de Heterodoxia vai longe e fundo porque despreza a aridez teorizante e olha o livro como um acto vivido, uma provocação à felicidade. Daí a sedução da sua escrita, acho eu.

José Cardoso Pires

 

Vejo Eduardo Lourenço, de algum modo, como uma espécie de psicólogo do povo português que tem contribuído para nos libertar de amarras mentais, de complexos vários para que enfrente o futuro, não despido da necessária utopia, mas com realismo utópico.

José Eduardo Franco

 

O ‘Ser e Estar’ que reclamo e gloso no caso da Pintura, corresponderá à essência que esteve na origem da investigação do grande Pensador Português que é Eduardo Lourenço e de quem nos orgulhamos.

Júlio Resende

 

Porque Eduardo Lourenço não precisa confessar em voz alta donde lhe nasceu a vocação, não precisa dizer que se fez crítico por não ter sido poeta, para sabermos que a concepção da sua única escatologia se prende com a redenção pela Arte unificadora, e dela, a figura do martírio lhe aparece sob a forma de palavra. De facto, quem anda enredado nela sabe que uma vocação geralmente se desenvolve a partir de um gémeo perdido. E assim, quem diz que é crítico porque não conseguiu ser poeta, sabe que muitos poetas o são, porque não puderam ser críticos. Isto é – filósofos.

Lídia Jorge

 

O leitor ideal é ele. Mais: ele é o leitor que falta a cada poema, o leitor poeta que lendo, de certo modo reinventa o poema. Ninguém nos leu como ele. De Pessoa a Torga, passando por Sophia, Eugénio de Andrade, Carlos de Oliveira, Jorge de Sena, tantos outros, até aos da minha geração e aos mais novos. Quando vi o que sobre mim escreveu eu tive o sentimento de que estava a ser lido pela primeira vez.

Manuel Alegre

 

O que me tem maravilhado em Eduardo Lourenço é a sua capacidade de pensar profundamente a partir de factos aparentemente banais.
Não houve sobressalto desta nossa às vezes telenovela política, não houve episódio discreto ou forte, não houve circunstância susceptível de inflectir a história, que deixasse intocado o sismógrafo ultra-sensível da reflexão de Eduardo Lourenço.

Maria de Lourdes Pintassilgo

 

Quem sabe se foi por causa da ausência, ou excesso de presença, desses brasis, índias e áfricas de sonho na aldeia da sua infância que Eduardo Lourenço aprendeu cedo a percorrer os meandros imaginários de tão português Labirinto da Saudade, para nosso deleite e proveitosa instrução

Maria Manuel Baptista

 

Marginal consagrado, na permanente tentação do estudo da própria marginalidade — o que porventura autoriza a constância do balanço, ou o põe a coberto da ruptura suicidária —, eis o homem paralelo ao país que da mesma tragédia se alimenta.

Mário Cláudio

 

Eduardo Lourenço é um ensaísta e um pensador original, de excepcional mérito, cuja vasta obra publicada é fundamental para a compreensão de Portugal. E ainda nos falta conhecer o que tem por publicar nos “baús” de Vence, quando forem abertos...

Mário Soares

 

É uma felicidade para um país ter um espírito verdadeiramente superior como Eduardo Lourenço. Um espírito verdadeiramente superior, que à vasta cultura, na sua mais profunda e autêntica acepção – aquela que não se confunde com a erudição nem com o saber livresco -, alia uma inteligência vivíssima e acutilante, nunca usada para se exibir ou diminuir os outros, antes, quanto possível, se apagando, para os servir e servir a comunidade.

José Carlos Vasconcelos

 

Houve momentos em que apenas escutei, porque queria entender por que aquela direcção da nau e não outra; por que aquele porto e não outro; por que aquele tempo e não outro. Foi nesses silêncios, conversa com o Homem Grande, Eduardo Lourenço, que vi a Nau de Ícaro dirigindo-se para um paralelo que a levaria a outro Labirinto

Odete Costa Semedo



Na sua prosa há uma luminosidade que lembra a da pedra trabalhada pelo ponteiro (…).

Sophia de Mello Breyner

 

Eduardo Lourenço é de facto uma daquelas raras personalidades cujo discurso oral pode ser – é com frequência – experiência, criação, descoberta, aventura constante na ideia, sempre informado, intuindo sempre, e sempre racionalizando, o que de original, ou mesmo de único, assinala uma obra literária, para além das heranças e analogias que lucidamente ele descortina.

Urbano Tavares Rodrigues

 

Podemos dizer que a cultura foi o lugar da sua paixão como a po­lítica receio ter sido o lugar das suas paixões; uma o lugar do seu amor, outra do que por enquanto é só o da sua indignação; uma o projecto de uma vida, outra o de uma circunstância; uma o do ser, outra o do estar. Não há um juízo de valor senão o dos nossos valores. Eduardo Lourenço tem os seus e nenhuns se lhes podem substituir. Mas entre o efémero e o perdurável de um valor é valor sobretudo o que permanece. A cultura permanece.

Vergílio Ferreira

 

Eduardo Lourenço tornou-se para mim numa espécie de farol no conhecimento mais profundo da cultura.

Serafim Ferreira